A investigadora moçambicana, antropóloga social da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Sandra Manuel, integra a prestigiada e restrita lista dos 10 investigadores mais influentes do continente africano, em 2024.
Segundo o jornal The Africa Report, esta distinção, enquadra-se no âmbito do reconhecimento do papel crucial destes académicos na orientação de políticas públicas, no estímulo ao pensamento crítico e na transformação social, através da investigação e ensino, segundo avançou a UEM em sua plataforma.
A prestigiada, que é também especialista em género, sexualidade e saúde, e investigadora do Instituto Caleidoscópio, tem desafiado percepções padronizadas sobre género e sexualidade em África, trazendo uma abordagem crítica às narrativas convencionais sobre essas temáticas.
Recentemente nomeada Chefe do Departamento de Arqueologia e Antropologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, a especialista concedeu uma entrevista ao CECOMA, onde explicou que o reconhecimento do seu trabalho se deve à sua análise aprofundada das dinâmicas históricas e socioculturais que moldam a expressão da sexualidade no continente.
“Eu faço uma crítica dessas generalizações, tentando compreender como as dinâmicas históricas, socioculturais do contexto vão informar a forma como as pessoas se expressam”, disse em entrevista ao Centro de Comunicação e imagem da UEM.
Ao reafirmar seu compromisso com a difusão do saber, para o presente ano, a investigadora disse ter preparado três artigos para publicação, tanto em revistas científicas quanto em colectâneas académicas.
A especialista em género, sexualidade e saúde ressaltou a relevância de publicar em plataformas africanas, destacando que, muitas vezes, o conhecimento externo recebe maior reconhecimento. “Ainda valorizamos mais o que vem de outros continentes, mas eu me incluo entre aqueles que acreditam na riqueza da produção intelectual do nosso continente. Um dos caminhos para fortalecer nossa academia é publicar localmente”, afirma.
Por fim, embora reconheça o domínio do inglês no universo académico, a investigadora defende com paixão a publicação em língua portuguesa, acreditando que o conhecimento deve ser acessível e ressoar na identidade cultural de quem o produz e consome. Para ela, a ciência não pode estar restrita a círculos elitizados ou a idiomas hegemónicos; deve alcançar o público de forma dinâmica e inclusiva. Por isso, explora diferentes meios, como blogs e redes sociais, transformando a pesquisa em algo vivo, próximo e capaz de inspirar novas gerações.