A jornada da maternidade é uma experiência emocionante, mas também pode ser desafiadora especialmente para mulheres que enfrentam condições médicas crónicas durante a gravidez. Um dos problemas detectados durante esse período é a pré-eclampsia, uma condição grave que pode afectar o funcionamento dos órgãos maternos e causar restrições de crescimento do feto, parto prematuro ou complicações para o bebé.

As gestantes com este tipo de doença são forçadas a manter controlo rigoroso no seu estio de vida, o que inclui a vigilância constante sobre os sintomas que, se não são controladas, podem levar a situações graves e até a morte,

Na verdade, a pré-eclampsia é a hipertensão arterial na gravidez e instala-se a partir de vigésima semana de gestação, especificamente no terceiro trimestre. Trata-se de um quadro clínico em que se verifica níveis de hipertensão arterial superiores a 140mmHg em relação a pressão arterial sistólica e 90mmHg na diatónica, associada a perda de proteínas na urina.

A hipertensão durante a gravidez é uma condição séria, que requer cuidados médicos especializados e atenção contínua. Além dos aspectos físicos, como o controlo da pressão arterial, o apoio psicológico desempenha um papel crucial no bem-estar das gestantes que lidam com condições médicas crónicas durante esse período crucial de suas vidas.

Dor de cabeça e visão borrada entre sintomas da pré-eclampsia

O médico obstetra do Hospital Central de Quelimane, Moisés Sitoe, sustenta que a pré-eclampsia é uma condição de gravidez que acontece com mulheres grávidas por volta da semana 20, em que há uma elevação da pressão arterial.

Ainda de acordo com o obstetra, os principais sintomas da pré-eclampsia estão associados a forte dor de cabeça, uma visão borrada ou uma perda temporária de visão e dores fortes por cima do abdómen, inchaço nos membros superiores e inferiores.

O médico avançou ainda que para além destes sintomas existem alguns factores de riscos que estão associados a pré-eclampsia durante a gestação: “o aparecimento da pré-eclampsia está relacionado com a questão da idade em que as mulheres muito jovens ou mais velhas podem desenvolver esta doença durante a gestão”.

De acordo com Sitoe, o histórico familiar em que a mulher pode ter antecedentes ou familiares predispõe o aparecimento da pré-eclampsia a uma mulher da mesma família. “Doenças como diabetes e doenças renais e uma mulher hipertensa também contribuem para o aparecimento da pré-eclampsia na gestação”, acrescentou o especialista.

Entretanto, mulheres que estão grávidas pela primeira vez antes dos 19 anos de idade, ou muito tarde depois dos 30 anos de idade e com um histórico de hipertensão na família são alguns sinais de alerta sobre o risco.

Pré-eclampsia pode gerar uma série de emoções intensas

A psicóloga Cândida Muvale entende que pré-eclampsia pode gerar uma série de emoções intensas na gestante, como ansiedade, medo e até depressão. A preocupação com a saúde do bebé e a própria saúde da mãe pode ser avassaladora. Além disso, a necessidade de intervenções podem levar a um estado de stresse elevado, afectando a qualidade de vida da gestante.

Para a psicóloga, o suporte psicológico é fundamental para ajudar a gestante a lidar com as emoções que surgem durante essa fase desafiadora após o diagnóstico de pré-eclampsia. “A psicoterapia pode proporcionar um espaço seguro para expressar medos e ansiedades sem julgamentos, além de ensinar técnicas de relaxamento e manejo do estrese. Esse suporte pode ser valioso no pós-parto, ajudando a mãe a processar a experiência e ajustando-se a nova realidade.

Estudos indicam que mulheres que enfrentam complicações na gravidez, como a pré-eclampsia, têm maior risco de desenvolver transtornos psicológicos pós-traumático. Essa associação pode ser atribuída ao estrese adicional que vivenciam durante a gravidez.

Muvale salienta que o apoio familiar, bem como do parceiro, é essencial e indispensável para o bem-estar emocional da gestante diagnosticada com a pré-eclampsia. “Eles podem ajudar criando um ambiente calmo e acolhedor, oferecendo apoio prático nas tarefas diárias e estando presentes para ouvir as preocupações da gestante, porque para a psicóloga, a comunicação aberta e o reconhecimento das dificuldades enfrentadas pela gestante são fundamentais para fortalecer esse suporte.

Elisa Sitoi, vítima de pré-eclampsia na sua ‘primeira viagem’

Elisa Sitoi de 29 anos de idade, mãe da ‘primeira viagem’, engravidou aos 22 anos de idade, disse a Entre Aspas que, durante a gestação, teve problemas de inchaço e dores de cabeça, formigueiro nos pés e fadiga.

“Sobre estes sintomas, na verdade, sendo uma mãe de primeira gravidez eu não percebia do que se tratava. Eu punha anéis, só que depois de um tempo os anéis deixaram de me servir, comecei a sentir minhas pernas a inchar, dores de cabeça, só que um detalhe, sempre que eu fosse a consulta nunca tive alteração da minha pressão arterial, sempre que eu fosse ao Hospital estava tudo Okay e, eu sentia formigueiro nos pés e para dormir as vezes tinha que colocar um pano molhado sobre as pernas até conseguir dormir”, conta.

Gravidez e suas alterações fisiológicas

A gravidez é todo o período em que a mulher desenvolve um feto no interior do seu corpo, desde o momento da concepção até ao parto. É um processo biologicamente natural, mas caracterizado por grande susceptibilidade para a mulher e sem dúvida, marcado por um grande conjunto de alterações e restruturação fisiológicas.

No entanto, devido a alguns factores de risco, algumas gestantes podem apresentar maior probabilidade de evolução desfavorável. São chamadas “gestantes de alto risco” e é indispensável que a avaliação de risco seja contínua, ou seja, aconteça em toda consulta pré-natal.

É importante destacar que uma gravidez de alto risco não significa necessariamente que ocorrerão complicações, mas sim há uma probabilidade delas acontecerem. Nestes casos, a gestação é acompanhada de forma mais intensiva por profissionais de saúde, com avaliações e cuidados específicos para minimizar os riscos e garantir a saúde da mãe e do bebé, é necessário contra as doenças crónicas que podem se manifestar nesta fase. Uma vez que as doenças crónicas na gravidez possam representar uma ameaça aos projectos de vida tanto da gestante e assim como do bebé é necessário manter as devidas precauções.

Célia Matavel

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